“Pisa que é barata!”

Vai a 18 o número de mortos em parada gay na Alemanha. É, galerinha, esses homossexuais estão ficando violentos. Antigamente nós, digo, eles contentavam-se em passar AIDS pra geral. Agora vão na brutalidade, na pernada, na má fé. É essa síndrome de Felipe Melo que acomete os jovens, que precisam se afirmar, que precisam mostrar ao mundo a que vieram. Pois bem. O triste é que, mesmo em matéria de minorias desprestigiadas levando botinada no peito, a Bundesrepublik já teve dias mais gloriosos.

Minto: o triste é ter de aparecer no hospital fantasiado de ovo da Páscoa.

Anúncios
Publicado em sociedade | Deixe um comentário

Legalidade fashion

Antes de mais nada, este colunista gostaria de deixar claro o seguinte: sou contra a imposição religiosa do uso da burqa, porque ela nada mais é do que o leigo tomando nas mãos o que é papel da mídia, isto é, dizer à mulher o que ela deve usar.

Colocado isto, vamos voltar mais uma vez nossas atenções à França, a Meca (no puns intended, como diriam os britânicos) fashion do globo terrestre. Naquele agradável país cheio de gente bonita, baixou-se recentemente a proibição da burqa e do niqab em ambientes públicos. Ora. Posiciono-me contrariamente a tal imposição: vestir-se extremamente mal é um direito civil, assim como dirigir sem cinto de segurança e fumar crack, pelo qual se deveria lutar em qualquer democracia liberal.
Porém, pegando carona nas circunstâncias, como também o fazem nossos mais liberais democratas, caso o governo brasileiro decida copiar o exemplo dos franceses, tenho minhas próprias sugestões para que peças do vestuário também deveriam ser proibidas:

  • bonés
  • munhequeiras
  • aquelas saias que ficam atochadas acima do estômago da cidadã
  • calças capri
  • regatas
  • and so on…

A jovem muçulmana que sentisse necessidade de, de alguma forma, homenagear o Corão em suas roupas poderia optar pelo uso do lenço palestino, que, como se sabe, está ultra na moda neste verão europeu.
Ainda no âmbito religioso, o kippah é tão ofensivo ou mais quanto burqas naqibs tahines etc. Eu também proibiria – exceto em caso do usuário ser calvo, situação que justifica o uso do chapeuzinho. Mas os símbolos da mitologia cristã são os que mais me incomodam: banidas seriam todas as camisetas da vertente “Exército de Cristo” e detidos seriam seus portadores por incitação à formação de organização paramilitar em território nacional.  Cordão com crucifixo, peixinho ou medalhinha da Virgem já está fora de moda desde 800d.C.. E, claro, o Cristo Redentor seria implodido, como bem defendeu o outro.

Enfim, vamos trabalhar, STF!

Duas ninjas.

Publicado em moda, política, sociedade | 1 Comentário

Um problema menor

Leiam esta notícia do globoesporte.com:

Frank (sic) Ribéry e Karim Benzema tiveram a prisão preventiva decretada após prestarem depoimento na manhã desta terça-feira, na brigada de repressão à prostituição da polícia. Ambos são acusados de terem mantido relações sexuais com uma prostituta menor de idade quando os fatos ocorreram, em 2008.

Os jogadores ficarão diante de um juiz que decidirá revogar ou manter a prisão. A legislação francesa prevê três anos de prisão e multa de € 45 mil (cerca de R$ 105 mil) para aqueles que utilizam os serviços de prostitutas menores de 18 anos. Mas para isso, é preciso que haja provas de que o cliente tivesse conhecimento da idade da profissional.

De acordo com a advogada de Ribéry, Sophie Bottai, o jogador não sabia que a prostituta Zahia Dehar era menor. No entanto, em abril o francês teria dito à polícia que havia lhe pagado uma viagem até Munique. Portanto, a investigação busca saber se o atacante do Bayern foi quem comprou o bilhete, o que o obrigaria a saber sua idade.

O também francês Sidney Govou, ex-Lyon e atualmente no Panathinaikos, da Grécia, declarou ter mantido relações sexuais com Zahia Dehar quando ela já era maior de idade.

Pra começo de conversa, deixo um apelo aos futebolistas brasileiros: vejam como é honrado este francês! Manteve relações com uma prostituta menor de idade, sim, mas, qual Odair José, pagou-lhe uma viagem a Munique – linda cidade, cheia de pontos turísticos e belezas a serem descobertas. Enquanto isso, aqui, verifica-se que não atirar a moçoila aos rottweilers já seria algo suficientemente romântico…

Mas não há lugar para relativizações: pedofilia é crime. E, uma vez assumindo que o jogador do Bayern München teria mantido relações com uma menor sabendo sua idade, resta-nos respirar aliviados e dizer “Pelo menos não foi com alguém tão tosca como a Mallu Magalhães! Aleluia, há esperança no mundo.” verificar os agravantes, quais sejam: Franck Ribéry é monstruosamente feio. Os danos psicológicos que a jovem Zahia Dehar sofreu por vislumbrar seu corpo desnudo sob o luar parisiense provavelmente são irreversíveis, e não há sobre a Terra justiça que possa compensar essa brutalidade mental.

Outro jogador da seleção francesa, Sidney Govou, também manteve relações com Zahia. Suponho que a garota possuísse um “contrato de exclusividade” com os bleus e, caso isso se confirme, gostaria de vê-lo com uma rúbrica do punho de Raymond Domenech, o que seria suficiente para mandar o monstro (este sim um corruptor dos menores da nação francesa) direto para a cadeia.

Por fim, fazendo um paralelo com o post abaixo de meu colega Hugh Jess Mondrian, gostaria de comparar o belíssimo modelito Avestruidal do “Macarrão” no momento de seu encarceramento com a vestimenta do jogador francês.

Curioso que a França, que já foi a capital mundial da moda, tenha nos brindado com tamanho exemplar de mau gosto indumentário, e justamente no momento da prisão de uma celebridade, que, como todos sabem, está se tornando um evento ao nível de casamentos ou bar mitzvahs – onde o apuro estético e a postura são essenciais para se causar aquela primeira boa impressão. Enfim, resta-nos saber se Franck Ribéry foi realmente preso por relacionar-se com uma menor de idade ou por atentar contra a Beleza. Este colunista tem suas dúvidas.

Adendo: Um bom amigo, Georg Roumaine, dividindo uma garrafa de vinho comigo,  comentou: Porra, claro que ele transou com aquela garota, era uma prostituta! Queria que fizessem o quê? Jogassem Mario Kart? Achei de mau tom, mas deixo o registro.

Publicado em futebol, moda | Deixe um comentário

An Epic Overture

Sem dúvida, a morte de Eliza Samudio foi um evento que mobilizou a sociedade brasileira. Não só pelas atrocidades cometidas mas também pelo envolvimento do goleiro de um dos times mais célebres do país. Mesmo sem muitos mistérios, o caso acabou ganhando um enorme destaque na mídia e círculos sociais.

Mais impactante, contudo, foi a chegada dos prováveis réus na Polinter do Andaraí. Nesse exato momento, a questão saiu do âmbito nacional e percorreu o mundo, iluminada pelos holofotes da moda e da imprensa global.

É simples. A arte está sempre em conflito. Vimos o Renascentismo derrubado pelo Barroco, derrubado pelo Classicismo… O destino de um estilo é ser derrubado por outro, contrastante, mesmo quando tal estilo engloba características discordantes de anteriores ou possua alguma similaridade com o sucessor. Nada pode estar em foco permanente. Mas é claro que nada é, tampouco, permanentemente destruído. Os processos continuam em desenvolvimento paralelo, até serem futuramente resgatados e reanalisados.

E é à essa infindável batalha que damos o nome de moda. A moda faz parte do processo de reavaliação do ser humano e por isso é tão importante. E a, aproximadamente, cada década acompanhamos seu fenômeno metamorfósico.

Porém, como a maturação de uma borboleta, tal fenômeno ocorre gradualmente, poucas vezes tem início num determinado evento, como uma explosão cultural incisiva.

Não podemos dizer com precisão quando começou o Renascimento, o Impressionismo, ou quando decidiram fingir que Crocs eram estilosos. Mas sabemos exatamente quando nasceu a moda da década vigente, e foi na chegada de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, na Polinter do Andaraí.

Simples, casual e sofisticado. A combinação de tais elementos sempre pareceu inatingível. A primeira década do terceiro milênio foi marcada por excessos e extravagâncias. Falava-se muito na volta da década de 80 e em muitos aspectos pode-se comparar as tendências de ambas. Era claro que a frugalidade eventualmente voltaria mas não se sabia exatamente como, até o surgimento da Complexidade Singela, ou Macro-Minimalismo.

Vamos analisar, então, o look de Luiz Henrique Romão, para entender do que se trata essa nova orientação estilística:

Romão veste uma clássica t-shirt. Corte reto, gola circular de dobra média e mangas curtas de dobras médias. Perfeita para um look casual. É bom ressaltar que a as dobras médias nas mangas já não são tão comuns e que provavelmente voltarão à evidência nessa década. Como de costume na década que passou, as mangas param no úmero (parte superior do braço) e não nos cotovelos. Porém, a gola é colocada sobre o rosto, num estilo recentemente classificado pela Vogue como Struthioniforme ou Avestruidal. E é aí que está a revolução. Repare como, por causa disso, as costuras das mangas saem da horizontal e se alinham em “V”, o que, além de elegante, emagrece. O efeito de emagrecimento é ainda otimizado pelo volume da cabeça na parte superior, pois este impede a formação dos contornos abdominais e toráxicos (sim, os contornos toráxicos finalmente saíram de moda). No peito esquerdo, Romão usa uma espécie de broche de plumas. É o elemento final para atestar a finésse do traje. As plumas são cerca de 5 tons mais claras que a camiseta, proporcionando um contraste suave. Constrastes mais abruptos também farão o sucesso nesse inverno mas tudo depende da composição final, é claro. A cor laranja é um fator opcional mas que caiu muito bem, faz referência ao movimento Bauhaus e referências estão com tudo nessa temporada. Não basta cair bem, a composição tem que contar uma história. A calça jeans é indispensável para um visual informal cotidiano e fecha o look de Romão. Posicionada abaixo da cintura e inclinada a 24 graus, como o rótulo do Whisky Johnny Walker, é adornada por algumas dobras nos joelhos que criam volume de forma mais contemporânea. É uma pena que não tenham nos disponibilizado a foto que mostra tal elemento.

Essas são as principais características do Macro-Minimalismo. Como você pôde perceber, os pequenos detalhes é que importam e criam uma textura de fundo para sofisticar até os looks mais simples. Seguindo a orientação avestruidal, desenhei alguns esboços para ilustrar como essa tendência será usada nesse inverno.

Casual / Semi-formal. Pode ser usado em situações corriqueiras mas também em confraternizações de médio porte e até no trabalho.


Casual, associação com look Procto-Hipster


Balada, New Yorker e Gala.


Casual.


Associado com sobretudo feminino. Ótima opção para qualquer tipo de evento, se o clima colaborar.

Opções formais masculina, a segunda associada com sobretudo.


Casuais masculinas


Conjunção com vestido matrimonial


Formatura

Enfim, esse ano devemos ser bombardeados por dezenas de criações interessantes e, com o passar dos anos e estações, ter uma visão mais clara de como será a adaptação desse novo estilo que moldará a década. Continue acompanhando nosso blog para mais análises e dicas. Lembre-se sempre: Sua roupa é como sua segunda pele, sua pele favorita. Bom dia para todos!

Hugh Jess Mondrian é estilista e professor de teoria da moda na UMF (University of Modern Fashion) em Nova Yok. Possui mestrado em Semiótica da Moda pela Universidade de Ohio e graduação em História da Indumentária por Cambridge.

Publicado em moda, sociedade | 1 Comentário

Seria a estética “ladygaguiana” o fim do videoclipe?

Videoclipes nonsense, intermináveis, beirando o grotesco? Não, não estou falando de Tool. Inclusive porque a banda estadunidense atingiu um nível de excelência em suas músicas que permite aos vídeos serem angustiantemente incompreensíveis sem que se provoque a fúria e a indignação dos mais culturalmente refinados – como moi.
Há alguns meses seria ridículo tentar definir uma estética ladygaguiana, vez que esta seria nada menos do que um apanhado de clichês e pequenos plágios de Madonna, Grace Jones, MC Hammer and so on. Contudo, como em vários momentos da história da arte, percebemos os traços específicos que caracterizam determinado estilo quando esse mesmo estilo começa a ser difundido e copiado. E eis que temos o novo videoclipe do Interpol, “Lights”:

É prepotente. A começar pelo título, que inclui insolentemente um “Directed by Mr. Charlie White” como se este fosse um Stanley Kubrick ou Orson Welles. Ora, quem é o Sr. Charlie White? Repórter investigativo, voei até a Wikipedia e li atentamente três linhas do artigo: é um “artista”. Pois essa difusão da “arte” nunca trouxe bons resultados – não se tem mais músicos, escritores, pintores ou diretores de clipes, são todos “artistas”. Lembra a clássica piadinha do pato, que é o verdadeiro polivalente: voa, nada e anda, e tudo mal.
Quanto ao clipe em si, vemos alguns minutos de masturbação cerebral sem começo, meio nem fim. Verdade, há algum estilo inerente às modelos. Colocando-se um “Interpol & Calvin Klein present: ‘Lights'”, poder-se-ia até vender alguma coisa. Mas, digno onanismo, é tudo em vão. O leite vomitado pela atriz, sêmen da mediocridade, não é uma grosseria com propósitos artísticos como, digamos, o olho cortado em “Un Chien Andalou”. É apenas uma grosseria. E o surrealismo simbolista, qual besta rara, vem sendo brutalmente abatido e utilizado para acobertar os mais imberbes disparates artísticos.

Talvez Lady Gaga seja menos nociva à humanidade como artista perfomática do que como referência. A conferir.

Publicado em música | 2 Comentários

Os Astro Zombies do Distrito Federal

Os 17 torcedores que acompanharam, anteontem, ao emocionante embate entre o América-MG e o Brasiliense depararam-se com um dos maiores atentados fashion do universo do futebol desde o losango aberto invertido do jogador neerlandês Nigel De Jong contra o natural born malemodel Xabi Alonso na final da Copa do Mundo. Falo do terceiro uniforme dos meninos de Taguatinga, cujo design, em teoria, homenageia o Dia do Rock. A ver:

Homenagem ao Misfits, isto sim. Que não é, nunca foi e, com todo o respeito, nem deveria ser um conjunto representativo do rock’n’roll enquanto estilo musical. Se queriam selecionar, como diriam os britânicos, out of the blue uma banda para a exaltação, por que não jogaram todos fantasiados de membros do Gwar (foto abaixo)? Teria sido um espetáculo mais divertido e, ouso dizer, não mais horroroso.

É pedir demais, aliás, que os jogadores de futebol ouçam Claude Debussy, Edith Piaf e Edu Lobo. Mas, defrontado com a estética abusiva do rock’n’roll, cabe a este colunista perguntar-se se não é menos repulsivo um Loco Abreu insistindo que toquem “Rebolation” – ao menos é de bom coração, traz boas vibrações.
Superando-se o asco inicial causado pela caveira-símbolo da banda de Glenn Danzig, resta-nos perguntar: queria o Brasiliense reforçar o preconceito de que é impossível ouvir rock e vestir-se decentemente ao mesmo tempo? O uniforme externa sujeira. Sujeira e mau cheiro, num golpe de sinestesia que poderia ter sido usado para o bem, o que não foi o caso. Não é por coincidência que, segundo este colunista ouviu, no Centro-oeste costuma-se chamar o que aqui no Rio era conhecido como “grunge” (mas podemos definir porcamente como “roqueiro”) de “dorme-sujo”. A escolha desastrada de cores é digna de um pré-adolescente que, do alto de seus 13 anos, decide chocar a sociedade ouvindo Dead Kennedys e que acha o conflito rosa-amarelo de seu álbum predileto, o “Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols”, como diriam os britânicos, only natural. Este mesmo garoto chamaria sua mãezinha ao quarto e guincharia “Mãe, comprei alguns patches do Misfits e gostaria que você os costurasse neste manto azul para que eu pudesse jogar uma pelada com meus amiguinhos do Brasiliense amanhã bem cedo!”.

Está errado, está feio. O Brasiliense mereceu o empate que sofreu contra o América-MG, bem como mereceria perder, e mereceria perder todas as partidas e ser rebaixado sem direito a volta para a seleção do mau-gosto.

Publicado em futebol, moda | Deixe um comentário